Por: Caroline Escobar, Jornalista.

No dia 03 de maio é celebrado o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, mas a pergunta que não quer calar é: ainda temos tanta liberdade assim? A falta de informações, o extremismo de opiniões e o fanatismo tem feito um movimento nem um pouco confortável aos jornalistas, principalmente às profissionais mulheres que sofrem cada vez mais ataques que descredibilizam os seus trabalhos.

Com as pessoas buscando menos informações factuais e se baseando naquelas disseminadas via redes sociais e lives tendenciosas, temos um caminho livre para a desinformação e alienação. Sem ser regra, esse tipo de situação abre brecha para xingamentos, ameaças, questionamentos sobre a imparcialidade, agressividade, sexismo, homofobia e preconceito. Todos os tipos de violência voltados a profissionais que estão apenas prestando serviço à população.

Às vésperas do Dia da Liberdade de Imprensa foi divulgada a pesquisa “O impacto da desinformação e da violência política na internet contra jornalistas, comunicadoras e LGBT+”, que é uma parceria entre o grupo Gênero e Número e o Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Esse estudo aponta como a falta de informação, as fakes news e a intolerância vem gerando hate no ambiente online, tendo como principais alvos jornalistas mulheres e LGBTQIAP+.  

Em uma pesquisa onde foram entrevistadas 237 profissionais, 90% das participantes avaliam que a desinformação tem causado uma perda de confiança na imprensa por parte da sociedade e 54,9% afirmam que este fenômeno gera um impacto direto em suas rotinas profissionais. Com relação aos ataques, 41,9% das entrevistadas já sofreram violência online por causa da profissão e 81,4% já presenciaram violência contra colegas de trabalho. Como resultado dessas agressões, 14% das jornalistas que relataram ter sofrido algum tipo de ataque, passaram a evitar produzir conteúdo sobre determinados assuntos e 7% informaram que deixaram de cobrir algum tema ou editoria temporariamente. 

Esses dados nos fazem refletir sobre os rumos da liberdade de imprensa, pois está ficando cada vez mais desafiador seguir o juramento que diz: 

“Prometo, no exercício da profissão de jornalista, assumir meu compromisso com a verdade e com a informação. Empenhar todos os meus atos e palavras, esforços e conhecimentos para a construção de uma nação consciente de sua história e capacidade…”

Esse trecho acima reafirma o nosso compromisso como comunicadores, que é informar a verdade dos fatos com o intuito de formar cidadãos mais pensantes, conscientes e instigados. Contudo, não contávamos com a luta do bem contra o mal que estamos enfrentando em nome do exercício da profissão e seus princípios. Seguiremos lutando!

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